O Fragmento

Byrne não conseguia registrar bem o que estava acontecendo ao seu redor. Havia muito tumulto, gritaria, e pessoas correndo de um lado para o outro. A névoa que ele havia exalado já tinha dispersado, mas parecia que uma parte dela tinha se alojado no seu cérebro, a essência corrompida da relíquia cobrindo seus sentidos como um véu. E não só em sua cabeça, seu estômago também parecia cheio daquele fel. Ele sentia suas entranhas se revirarem, se preparando para expulsar aquela corrupção do seu corpo.

Ele tentou se lembrar do que tinha acabado de acontecer. Era um jantar na casa de algum homem rico numa cidade distante. Pete tinha sido convidado, ele aparentemente tinha salvo os filhos do homem, e chamou Byrne como um acompanhante para tentar reatar laços. Byrne odiava esse tipo de festa, mas fazia quase um ano que ele não via ninguém do seu antigo grupo, então aceitou o convite.

Alguém gritou sobre uma sombra enorme no horizonte. Um ataque. Gavinhas de fumaça girando como um turbilhão. Uma revoada de espectros, alguma janela mal vedada. Pete puxou sua espada, mas eles eram muitos. Cabeça-Dura estava na mesa, mas ninguém ousava tocá-la. Ele avançou e colocou a mão sobre o crânio de pássaro. Pete…

Ele olhou ao redor, procurando seu amigo, e o viu caído no chão alguns metros ao seu lado. Ele conversava com alguém que que carregava um balde. A garota parecia estar confusa enquanto Pete apontava para Byrne. Ela se aproximou confusa e Byrne rapidamente tomou o balde de suas mãos, despejando nele o fel da relíquia, juntamente com seu almoço.

Seus sentidos foram aos poucos retornando e ele começou a ouvir a voz de Pete.

“…vai passar. Bota tudo pra fora que já vai ficar melhor.”

Byrne ficou um tempo sem responder, até os surtos de vômito diminuírem.

“Cala a boca, seu desgraçado! Deixa as pessoas cuidarem de v-”

Um novo surto o interrompeu, mas dessa vez ele apenas vomitou ar. O líquido no balde tinha um cheiro metálico que trazia péssimas lembranças, e Byrne se sentou no chão de madeira, a uma certa distância do recipiente.

Ele olhou novamente para seu amigo e viu que suas roupas estavam esburacadas. Os fantasmas pareciam ter cortado através do couro como manteiga e rasgado a pele em vários pontos. A maioria dos cortes pareciam rasos, mas alguns eram bem profundos e seu sangue estava começando a fazer uma poça no chão, escorrendo pelas frestas entre os tacos do piso.

“Puta merda, olha o seu estado! Deixa eles ao menos fazerem os primeiros socorros, caralho. Se você morrer eu juro que eu pego a porra do crânio de novo só pra te dar uma surra!”

“Desculpa se eu me preocupo! Você lembra que não era pra você estar lidando com as relíquias, né? Mesmo você tendo tirado o fragmento daquela faca? Não até a Claire…”

“Cacete, eu vou ter que ir aí costurar os seus lábios? Seu retardado, você tá perdendo sangue, só…”

Conforme Byrne se levantava uma dor lascinante no seu abdomen o fez parar. Ele soltou um longo grunhido e colocou a mão em seu lado.

“Você tá brincando comigo…” rosnou Pete.

Seu amigo antes parecia genuinamente preocupado, mas agora sua voz carregava um tom de raiva.

“Você nunca tirou aquele fragmento? Sério? Quem é o retardado aqui? O que você tem na cabeça?”

Byrne estava caído no chão, seus braços agarrados no seu torso. Quando a dor diminuiu um pouco ele conseguiu ao menos erguer a cabeça e falar em uma voz ofegante.

“Eu passei esse tempo todo com ele de boa. Ele só mexe quando interage com as relíquias.”

“E aí o que, você faz? Vai e usa uma relíquia. Parabéns, plano perfeito!”

“Eu só peguei a merda da relíquia porque você ia morrer se ninguém fizesse nada! Aliás, você pode me explicar por que o Cabeça-Dura tava exposto em cima da mesa?”

A garota que tinha lhe entregado o balde deu um passo à frente. Ela trazia com ela um kit de primeiros socorros.

“Err… Na verdade ele deixou ele lá para mim.”

Ela parou por um instante quando os dois voltaram seus olhos para ela, e rapidamente recuou, parecendo se arrepender de ter falado. Ela usava um conjunto de calça e corselete de couro curtido semelhante ao de Pete.

Ele tinha completamente se esquecido da aprendiz do seu amigo. A que estava sendo treinada para subsituí-lo como usuária da relíquia. Pete tinha recebido três convites para o jantar, um para cada filho que ele tinha salvo. Byrne estava muito feliz de ter sido convidado, mas ele se perguntava se ele estaria ali se fossem apenas dois filhos salvos.

“E o que você estava esperando?” gritou Byrne.

“Eu… eu não sabia se… mestre Pete sempre me disse que as relíquias são perigosas…”

”Dá um desconto pra ela, Byrne. A Merle ainda tá em treinamento. Teria sido o primeiro combate dela usando um dos artefatos.”

“Não, mestre… eu deveria ter…” A garota fez uma pausa e respirou fundo. “Mestre, eu realmente preciso cuidar das suas feridas, você está sangrando muito.”

“A gente precisa chamar a Claire.” Pete interrompeu.

“Não, não precisa!” Byrne respondeu depressa. “Porque você quer chamar ela agora?”

Byrne não via Claire há muito tempo, e encontrá-la novamente seria muito bom em outras circunstâncias. Mas não nessas.

“Porque se ela não cuidar desse caco de metal amaldiçoado agora você nunca vai fazer isso.”

“Eu acho que eu prefiro deixar ele me cortar por dentro do que o esporro que a Claire vai me dar…”

“Pois é, a vida é uma merda quando você só toma decisões ruins.”

“Tá bom, tá bom. Mas deixa sua aprendiz cuidar das suas feridas antes de chamar ela, pode ser?”

“Tá, mas não vai pensando que você vai escapar disso.”

Merle se sentou ao lado de seu mestre para cuidar de suas feridas. Uma criada se aproximou de Byrne com um copo de água. Suas mãos tremiam, ameaçando molhar tudo ao seu redor. Byrne ainda não estava pronto para colocar nada em seu estômago, mas tirou o copo das mãos da garota antes que ela o derrubasse.

O dono da casa parecia atônito, sem conseguir esboçar reação alguma, olhando de um lado para o outro de olhos arregalados. De tempos em tempos seus serviçais lhe perguntavam o que fazer, e ele lhes dava alguma tarefa aleatória e quase sempre inútil. Os que não estavam eles próprios em choque logo perceberam e começaram a tomar iniciativa própria, o que causou alguma confusão mas era melhor do que ficar fazendo tarefas sem sentido.

A aprendiz de Pete já estava executando os primeiros socorros, que ocorreram sem maiores incidentes, fora quando ela precisou expulsar alguns criados cuja proatividade os levou a tentar limpar o sangue do chão antes de retirar a pessoa que estava sangrando nele. Após terminar de atar as bandagens e estancar as piores hemorragias, sem ao menos limpar as mãos ela pediu a um dos criados uma bacia com água. Era difícil fazê-los ouvir o que ela dizia ao invés de apenas olhar para o sangue nos seus dedos, e praticamente impossível convencê-los a fazer qualquer coisa que ela pedisse. Apenas quando Merle pediu ao dono da casa, que pediu a um criado, ela conseguiu uma pequena vasilha cheia até a metade. Não era o que ela esperava mas iria servir.

Com cuidado para não derramar toda a água no chão a garota lavou suas mãos, o sangue de seu mestre tornando o líquido turvo. Ao redor da bacia ela colocou quatro pedras, duas negras, uma branca, e uma verde. Os cristais pretos pareciam se adequar bem ao ambiente ao seu redor, que parecia bem mais sombrio do que alguns minutos atrás, como se a cena estivesse sendo observada através de um fino véu negro. Byrne não sabia se por conta da aparição dos espectros ou por ele ter usado o Cabeça-Dura; ambos sempre pareciam tornar os arredores mais escuros. As outras pedras, no entanto, pareciam brigar pelo seu espaço ali. A pedra verde quase parecia brilhar por conta própria, e ainda assim a atmosfera oppressiva parecia diminuir sua luminosidade. Ainda assim Merle conseguiu ajeitá-las de forma que elas parecessem se integrar bem com as outras e com a vasilha ensanguentada.

Byrne era familiarizado com os usuários de cristais, uma de várias escolas de magia existentes que usava as pedras para manipular as energias ambientes a seu favor. Ele próprio não era um adepto, mas já tinha visto muitos especialistas trabalhando, e anos mexendo com uma relíquia feita para quebrar as paredes da realidade lhe deram um bom olho para como energias ambientais se comportavam. E tudo indicava que a garota sabia o que estava fazendo. Fazia total sentido que ela fosse a herdeira do Cabeça-Dura. Era bom que eles tivessem arrumado alguém competente para o substituir. Às vezes ele pensava em voltar, mas eles não poderiam ficar tanto tempo sem alguém no seu lugar. Claro, ele não poderia culpar a ninguém exceto a si próprio, afinal ele tinha causado o acidente. Mas ainda assim ele sentia que suas chances de algum dia voltar eram menores do que ele esperava.

De um bolso ela tirou uma pequena pulseira de contas brancas que Pete lhe havia dado enquanto ela amarrava bandagens em suas feridas. Com cuidado ela a colocou sobre a superfície turva da água e ela boiou, a física aparentemente discordando do que o senso comum dizia que deveria acontecer.

Usando o pano que estava em cima da mesa, originalmente enrolado ao redor do crânio de pássaro que agora estava no chão próximo a Byrne, Merle pegou a relíquia, sem deixá-la tocar na sua pele. O tumulto ao redor desapareceu enquanto todos se voltavam para ela e sussurros correram pelo quarto. “Eles vão usar isso de novo?” e “Já não tinha acabado o perigo?” eram frases comuns e Byrne ouviu alguém dizer “Nós vamos morrer!”. Mas ninguém interferiu, olhos cheios de medo assistindo de longe. A maioria deles provavelmente se sentiam mais seguros no mesmo cômodo que os usuários das relíquias, ainda que fosse uma das mais assustadoras delas.

Merle se ajoelhou, apoiou o pano ao seu lado e pairou suas mãos sobre a bacia cercada de pedras. Por um longo tempo um olho destreinado poderia achar que nada estava acontecendo, e os murmúrios ao redor aumentaram. Mas Byrne via que a pulseira se mexia levemente em padrões estranhos, girando muito lentamente para um lado e depois para o outro, como se a água abaixo dela estivesse formando correntes sem motivo. As pedras também mostraram mudanças sutis. O cristal verde parecia mais ativo agora, sua superfície rugosa agora quase translúcida, como uma lente que só mostrava um jogo de luz e sombra esverdeadas. A mais lisa das pedras escuras parecia ter escurecido ainda mais, sua superfície parecendo mais um buraco sem luz, e o que antes eram riscos brancos agora pareciam constelações no breu do céu noturno. Byrne não viu grandes diferenças nas outras duas pedras, mas pelo que ele sabia elas provavelmente estavam guiando energias mais sutis, completamente invisíveis para aqueles sem o preparo necessário.

Após algum tempo a garota abaixou suas mãos, e com alguns instantes de concentração colocou uma mão sobre o crânio nos panos ao seu lado. Suspiros audíveis dos criados acompanharam esse movimento. Por alguns segundos Merle não se moveu, e todos ao redor pareceram congelar com ela, sem nem sequer respirar. Nas suas costas algo parecia distorcer o ar, como o chão num dia quente, num formato que parecia um par de asas. Ela ergueu a relíquia e a segurou sobre a bacia, o bico alinhado com uma ponta do cristal branco, e na direção onde ambos apontavam o ar pareceu tremular. Um vento frio soprou no quarto fechado, ar fresco diluindo o cheiro de mofo e sangue que estava se acumulando. No meio do recinto, onde não havia nada, de repente estava uma mulher, vestida de branco e vermelho. Colares de contas brancas se enrolavam em sua cintura, pulsos e pescoço. O estilo de seus adornos era idêntico ao da pulseira na bacia. Seu vestido e sua capa ainda balançavam com a brisa que rapidamente diminuia até desaparecer. Em uma mão ela trazia um bastão de madeira que parecia já ter visto muitas longas caminhadas. Sua expressão não era muito amigável, sobrancelhas franzidas e lábios crispados em uma carranca enquanto ela observava os arredores. Estava idêntica a como Byrne se lembrava.

“Vocês dois querem me explicar como exatamente vocês transformaram um simples jantar nessa confusão?”

Ela olhou ao redor. Por um instante ninguém falou, todos os criados estupefatos com a aparição no meio da sala. Alguns pareciam aliviados que era um ser humano, outros se encolhiam de medo mesmo assim. Os olhos de Claire se voltaram para Pete.

“Você falou de espectros, quão grande foi essa revoada pra justificar duas relíquias serem usadas?”

“Foi uma nuvem deles, chegando pelo oeste, provavelmente do cemitério. Faz muito tempo que eu não vejo tantos, com certeza foram invocados e mandados pra cá.”

“E só os que entraram por uma janela mal vedada já eram tantos que você não deu conta mesmo usando a sua relíquia?”

Byrne, que estava observando o assoalho para evitar contato visual com a recém-chegada, ergueu seus olhos para fitar Merle. Pete e Claire estavam claramente continuando uma conversa, o que indicava que a garota tinha estabelecido contato mental entre os dois, isso antes de usar o Cabeça-Dura. A garota era muito habilidosa. Claro, familiaridade com as pessoas que estava contatando ajudava, e era de se esperar que ela fosse capaz de fazer isso com Pete. Mas com Claire, que estava sempre viajando? Merle provavelmente já tinha sido aprovada por todos como sua substituta.

Ele foi surpreendido pelo olhar de Claire, que se voltou para ele antes que ele pudesse voltar a admirar o chão. Muitas vezes ele havia sentido falta dela, mas agora não era um desses momentos.

“E você. Não bastou você ter passado dos limites da última vez. Não bastou você ter se aleijado e aleijado a equipe. Você me fez gastar um favor para te arrumar alguém pra te livrar do fragmento daquela adaga maldita. E você sequer foi? O que esse estilhaço está fazendo aí?”

Por um instante Byrne não teve reação além de encarar Claire arrebatado.

“Se você teve algum problema, por que você não veio falar comigo? Porque você não veio falar com nenhum de nós?” Ela suspirou. “Bem, agora isso não é o mais importante.”

Ela se abaixou para examinar a ferida e apalpar o seu flanco, que estava inchado e com manchas roxas. Byrne soltava leves grunhidos de dor conforme Claire apertava o local.

“Você pode ter um pouco mais de cuidado?”

“Quando você tiver mais cuidado consigo mesmo, eu penso nisso.”

Ele já tinha padecido muito nas mãos de Claire, que parecia sempre encontrar o método mais dolorido de tratar de qualquer ferida.

“Se você continuar assim, vai sangrar internamente até morrer.”

Ela puxou um de seus colares, cuja ponta ficava escondida debaixo do pano do seu vestido, revelando um pequeno recipiente de couro.

“Não precisa fazer isso. Vai ficar bem, eu vou ficar bem.” a voz de Byrne tremia visivelmente. “O fragmento reage a relíquias, você vai me matar!”

“Não, não vou. Mas você vai aprender a se cuidar.”

De dentro do recipiente ela puxou um frasco contendo um líquido esbranquiçado. Quando ela o colocou na palma de sua mão ele emitiu uma luz branca cegante, que se espalhava por seu corpo até que ela estava toda coberta por ela. Suas vestes tinham se tornado inteiramente brancas e luminosas e seu cajado estava entalhado com runas que brilhavam com aquela mesma luz e se moviam pela superfície da madeira. Sua mão ainda era o ponto mais brilhante e ela apontou essa luz para Byrne.

“Isso vai doer muito.” ela avisou.

Byrne sentiu suas entranhas arderem como se estivessem em chamas. Ele sentia o fragmento se mover, agitado pela energia da relíquia de Claire. Ele sentia o metal dilacerar a sua carne e a região em seguida arder com a cura cruel do frasco, que impedia que as pessoas morressem, mas causava dor enquanto a condição não se curasse sozinha. Ele urrou de dor pelo que pareceu uma eternidade, até que ele sentiu que os movimentos do fragmento tinham acabado.

Sua carne ainda ardia, e ele sabia que ela ficaria dolorida por algum tempo. Mas o fel da relíquia não estava lá, o que significava que o metal de alguma forma não estava ativo. Claire estava visivelmente exausta. Todo o brilho tinha sumido e suas roupas estavam manchadas de suor. Ela segurava o frasco usando a sacola de couro, e Byrne reparou que havia algo de errado com a luz que ele emitia, como se ela estivesse imperceptivelmente mais fraca e acinzentada do que antes.

“O fragmento não deve mais te incomodar, agora ele é só um pequeno caco de metal. Por favor, vê se tira ele com algum médico quando puder.”

“Eu… você não precisava… eu não sei como te agra-”

Ele foi interrompido por um grito. Ele se voltou atrás para ver um dos criados entrando na sala, sua cara pálida.

“Eles tão voltando! A nuvem de coisas ruins!”

Byrne se levantou com dificuldade, sua musculatura queimando. Claire olhou para ele e Pete, e em seguida para Merle.

“Você sabe usar a espada do seu mestre? Ele não está em condições de usar ela agora.”

“Sei, mas eu sou melhor com…” a garota começou.

“Eu sei, mas nesse instante é melhor deixar a caveira com o Byrne. Leva todo mundo pro porão.”

“Ela fica com o amuleto” disse Pete se erguendo. “Eu consigo lutar ainda. Merle, se esconda com eles e garanta que ninguém vai se machucar.”

“Sim, mestre.”

Claire se voltou a todos na sala.

“A situação está sob controle. Sigam a Merle, ela vai proteger vocês enquanto nós cuidamos do resto.”

Sua voz de comando cortou pelo pânico antes que tudo saísse de controle, e todos seguiram enquanto Merle os guiava pela porta, levando seu mestre junto. Enquanto isso Byrne e Merle checaram se todas as janelas estavam bem vedadas e deixaram uma única aberta. Lidar com todas as criaturas por uma entrada só seria o mais simples.

Os três trocaram um olhar e o plano já estava claro. Se eles só se escondessem os espectros iriam voltar cedo ou tarde. E enquanto estivessem fora era possível que atacassem outros lugares.

Por baixo da dor incandescente, Byrne sentiu uma satisfação brotar. Mais uma missão. Ele poderia não atuar de novo com seus companheiros, mas naquele momento, isso era suficiente.

“Eu não imaginei que você fosse capaz disso.” Byrne confessou, dirigindo-se a Claire, quando todos já tinham saído. “Você absorveu toda a corrupção do fragmento.”

“Bem, o fragmento estava bem menos ativo do que antes. Na época um de nós teria morrido processo, possivelmente os dois.”

“Eu nunca duvidei dos seus poderes, só da sua capacidade de não me machucar o máximo possível.” Byrne riu de leve, sua cara se contorcendo com a dor que isso causava. “ Quer dizer, ainda dói muito, mas eu achei que seria pior. Ou tem alguma pegadinha que eu não saquei, ela vai voltar pra mim de alguma forma?”

Pela janela o dia pareceu escurecer. Ainda faltavam algumas horas para o pôr do Sol.

“Se você só exalar a sua fumaça e não inspirar nada de volta não, não deveria.”

“Eu vou ter que ir aí costurar suas bocas?” sorriu Pete.

Byrne sorriu de leve enquanto andava até a caveira. Claire retirou novamente o frasco de seu colar. Pete desembainhou sua espada. Todos exaustos, dois deles feridos, eles se preparavam para enfrentar a revoada. Como nos velhos tempos. Os três ativaram suas relíquias.

Capítulo / Parte

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